"A gente se questiona, a gente se culpa, a gente se angustia".
Mesmo que você nunca tenha saído de casa, vale a pena ler.
Segue um pedaço do texto: (quase colei ele todo aqui!)
"A vida de quem inventa de voar é paradoxal, todo dia. É o peito eternamente divido. É chorar porque queria estar lá, sem deixar de querer estar aqui. É ver o céu e o inferno na partida, o pesadelo e o sonho na permanência. É se orgulhar da escolha que te ofereceu mil tesouros e se odiar pela mesma escolha que te subtraiu outras mil pedras preciosas. E começamos a viver um roteiro clássico: deitar na cama, pensar no antigo-eterno lar, nos quilômetros de distância, pensar nas pessoas amadas, no que eles estão fazendo sem você, nos risos que você não riu, nos perrengues que você não estava lá para ajudar. É tentar, sem sucesso, conter um chorinho de canto e suspirar sabendo que é o único responsável pela própria escolha. No dia seguinte, ao acordar, já está tudo bem, a vida escolhida volta a fazer sentido. Mas você sabe que outras noites dessa virão.
Mas será que a gente aprende? A ficar doente sem colo, a sentir o cheiro da comida com os olhos, a transformar apartamentos vazios na nossa casa, transformar colegas em amigos, dores em resistência, saudades cortantes em faltas corriqueiras?
Será que a gente aprende? A ser filho de longe, a amar via Skype, a ver crianças crescerem por vídeos, a fingir que a mesa do bar pode ser substituída pelo grupo do whatsapp, a ser amigo através de caracteres e não de abraços, a rir alto com HAHAHAHA, a engolir o choro e tocar em frente?
Será que a vida será sempre esta sina, em qualquer dos lados em que a gente esteja? Será que estaremos aqui nos perguntando se deveríamos estar lá e vice versa? Será teste, será opção, será coragem ou será carma? Será que um dia saberemos, afinal, se estamos no lugar certo? Será que há, enfim, algum lugar certo para viver essa vida que é um turbilhão de incertezas que a gente insiste em fingir que acredita controlar?"
E engraçado esse texto "cair" no meu colo na véspera do meu aniversário e nós alugando novamente o apartamento em São Paulo. São nesses momentos que mais me sinto assim. É querer estar lá para receber um abraço apertado de feliz aniversário, mas ao mesmo tempo empolgada para comer pizza sábado à noite e fazer meu bolo para comemorar com os amigos. É querer ter a nossa cama, a nossa geladeira, microondas, e todos os outros presentes que ganhamos de casamento...eu queria mesmo trazer nosso apartamento para cá. Pode?!
E eu, entre todos que escolheram viver longe de casa, sou privilegiada, pois temos a visita da família constante. Tem sempre alguém por aqui, a gente por lá e por mais rápida que a visita seja, faz um bem danado!
Mas é isso. Leiam o texto da Ruth. E eu escrevi aqui, pois esse texto faz muto sentido para mim! E não vou negar que dei uma choradinha no final. Só para terminar de ter certeza que vai ser assim, sempre.
Bye!
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